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Palacete Museu Espaço Palmeiras: Uma casa de família para viajar no tempo

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Património Cultural da Cidade, revela pelas paredes pintadas e obras de arte a visão de pessoas apaixonadas pela arte do seu tempo

Como era uma casa burguesa portuense em finais do séc. XVIII? Que tipo de mobiliário, arte e visão do mundo imperava e se valorizava? Para onde se viajava?

Se estas questões lhe despertam curiosidade, saiba que desde junho é possível observar e até dormir num requintado ambiente que é retrato perfeito de um tempo.

O Palacete que sempre foi casa de família, desde que, há mais de cem anos, serviu de residência de inverno aos antepassados de Maria Adelaide Oliveira, abriu também como alojamento este verão, após cuidadas obras de recuperação.

Impressiona o requinte do traço que comanda paredes, portas e detalhes nesta casa de família amante da arte e das viagens. Encanta o jardim enorme, raro nesta extensão e localização, bem no centro da cidade. Aqui habitam árvores centenárias, plantas e galinhas, numa atmosfera tranquila. Regressando a casa, a cada piso se conta uma história diferente, que tanto pode ser conhecida numa visita guiada como numa estadia.

Porque a “arte e a história devem ser vistas e partilhadas”, Maria Adelaide Oliveira abre as portas da sua casa com sorriso tão largo como as janelas que cada pintura da casa representa. Respeitando o legado, tudo foi cuidadosamente restaurado, ao longo de três anos, mantendo os traços de origem da residência de inverno da família Pizarro Portocarrero também proprietária do “Palácio da Bandeirinha” e da “Casa das Sereias”.

Chão em largas traves de madeira e mosaico hidráulico, paredes decoradas com pinturas do XVIII e XIX a retratar as quatro estações e viagens, então raras, peças de arte e mobiliário de época e o fabuloso teto trabalhado do “Salão das Andorinhas”, no último piso, merecem visita prolongada e ouvido atento às histórias que a agora guardiã desta Palacete Museu Espaço Palmeiras relata.

Em cada patamar da larga escadaria, outras pinturas dedicam-se aos ofícios tradicionais, com um músico, uma peixeira e uma lavadeira a revelarem algumas das atividades da época. Atente ainda a um elemento único, um sátiro pintado na parede, numa representação que, tanto quanto se sabe, existe apenas em espaços culturais, sendo este o único retratado numa residência, e aos belíssimos vidros colorido das portas pintadas em que olhar e perde no detalhe.

Pode conhecer este espólio numa visita guiada à casa ou ficando a dormir numa das quatro suítes (desde €150) cuja decoração integra mobiliário e objetos de época com elementos contemporâneos. “Tudo o que não deu para reabilitar, fizemos de novo”, revela a proprietária. Com zona de estar, todas são espaçosas e dispõem de varanda. No piso cimeiro, a suíte duplex oferece ainda uma pequena biblioteca e vista ampla sobre a cidade.

O Palacete Museu Espaço Palmeiras (Travessa de São Carlos, 7, Porto. Tel. 914551771) é, desde 2004, Património Cultural da Cidade do Porto.

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