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Opinião

"E depois do gin tónico, qual será a tendência?"

Cocktail

Foto: Ricardo Bernardo

Nelson Bernardes

Nelson Bernardes

Diretor da revista Drinks Diary

Estamos a poucos dias da realização dos Drinks Diary Bar Awards, esta será a primeira edição de um evento que tem como objetivo homenagear e premiar a indústria de bar nacional.

Ao longo dos últimos dois anos e meio tenho acompanhado com entusiasmo a evolução da cultura de bar em Portugal. Depois do gin tónico que nos colocou a todos de copo de balão na mão, abriram-se portas que estão agora a dar frutos. Novos bares, novos conceitos e cada vez mais profissionais trazem um trabalho de qualidade ao consumidor.

Muitas vezes é-me colocada a questão: e depois do gin tónico, qual será a tendência? E cada vez tenho mais dificuldade em a identificar, não creio que volte a haver uma tendência tão vincada como foi o gin tónico, creio que o gin irá perdurar e que abrirá espaço para que nichos como o rum e a tequila se instalarem e criarem o seu lugar no mercado.

Os Drinks Diary Bar Awards (cerimónia decorre dia 18 de fevereiro, em Lisboa) são por isso, uma leitura global do trabalho feito em 2017 nas mais variadas áreas. Se por um lado somos um país de vinho e os wines bars um espaço de partilha desse néctar por excelência, por outro não podemos deixar de assinalar o crescimento exponencial da cerveja artesanal e dos espaços especializados ligados a esse fenómeno.

A Drinks Diary enquanto conceito tem no “core” da sua criação a cultura de bar, e a cultura de bar é tão diversa que encontramos nela várias categorias que queremos destacar. Porque ir a um bar de praia é uma experiência muito diferente de ir a um bar de hotel, porque o que esperamos do bar do restaurante não se compara com o que queremos encontrar num rooftop, não deixamos de contemplar essas idiossincrasias na hora de nomear espaços.

Mas os espaços são feitos por profissionais, e também aqui, avaliando o muito que se evoluiu nos últimos anos quisemos dar relevância ao trabalho que é feito atrás dos bares, mas também em prol das marcas em funções por vezes pouco divulgadas como a de embaixador de marca.

Os prémios Drinks Diary Bar Awards surgem desse sentimento de entusiasmo que os últimos anos criaram em quem, como eu, trabalha com gosto nesta área. Os cocktails passaram a fazer parte do nosso léxico, eventos como o Lisbon Bar Show marcam a agenda anual, o Red Frog é o primeiro bar nacional a constar na lista dos 100 melhores bares do mundo, na posição 92 que lhe dá o estatuto de bar a observar para uma futura entrada na tão desejada lista The World’s 50 Best Bars.

Quando o tema é competição não posso deixar de destacar que a Portugal chegaram nos últimos anos as maiores e melhores competições para Bartenders a nível internacional, a Bacardi Legacy e a World Class são dois exemplos de peso. Duas competições que ditam tendências e elegem os melhores Bartenders do mundo, passaram a ter uma etapa nacional.

O turismo cresce e com ele surgem novos espaços que nos ajudam a criar novos hábitos, o aperitivo italiano e os vermutes trazem consigo nomes como o spritz, o americano e o negroni e nas esplanadas copos de formas diferentes povoam as mesas.

Continuamos ainda a ser um país de vinhos e cerveja. Mas já bebemos cervejas artesanais e juntamos água tónica ao Porto branco. Já nos aventuramos no gin para lá dos botânicos e dos mixers.

São tempos interessantes para a indústria de bar em Portugal, para o consumidor que é confrontado com a novidade a todo o momento, mas principalmente para os profissionais que se têm de reinventar, de estudar e colocar à prova a sua criatividade todos os dias.

O sucesso do ano passado foi o culminar do trabalho realizado ao longo dos últimos anos e por isso dia 18 de fevereiro brindaremos ao que se conquistou durante 2017.