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Passadiços de norte a sul: Uma “moda” que conquista cada vez mais portugueses

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Na companhia da brisa do mar ou do verde intenso da floresta em trilhos de madeira ou sobre antigas linhas de comboio estes são caminhos para desbravar a pé ou de bicicleta, com maior ou menor dificuldade, numa terapia natural sempre de mão dada com a natureza. Calce os ténis, equipe a mochila e prepare a máquina fotográfica. Bem-vindo ao mundo maravilhoso dos passadiços de Portugal!

Passadiços do Paiva

São os mais conhecidos e grandiosos do país, várias vezes distinguidos pelos World Travel Awards. Inseridos no Geopark de Arouca, situam-se na margem esquerda do Rio Paiva, convidando a um belíssimo percurso ao longo de 8 km, muitas surpresas e uma sublime envolvente verde, num autêntico santuário natural, junto a descidas de águas bravas, cristais de quartzo e espécies da fauna e da flora em vias de extinção. Entre as localidades de Areinho e Espiunca, prepare-se para um caminho de dificuldade alta, devido a vários desníveis acentuados. Os passadiços estendem-se por mais de 8 km que demoram cerca de 2h30 a percorrer, passando por importantes geosítios como a Garganta do Paiva, a Cascata das Aguieiras, a Praia Fluvial do Vau, a Gola do Salto ou a Falha de Espiunca. Organize o fim da viagem no ponto de chegada ou prepare-se para regressar, totalizando cerca de 16 km de percurso. Vale a pena o esforço, mas antes, não se esqueça de reservar a data e comprar bilhete (€2) para poder aceder ao passadiço, uma vez que existe um número máximo de visita por dia.

Passadiços de Vila do Conde

Ao longo da orla costeira de Vila do Conde há um percurso pedonal e ciclável de cerca de 8 km para desfrutar dos encantos do rio Ave e do mar. Mas não só. Há diversidade da paisagem acrescenta-se os Reserva Ornitológica de Mindelo onde habitam 150 espécies de aves, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos; gravuras rupestres e outros percursos de história, como os tanques romanos da salga do peixe, já em Angeiras. O percurso, que passa por Azurara, Árvore e Mindelo, une-se a Matosinhos no ‘Cabo do Mundo’. A passo normal, se não se perder pelo areal, pela natureza quase selvagem ou pelo património, a viagem faz-se em cerca de hora e meia.

Passadiços do Penedo Furado
Em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, os Passadiços do Penedo Furado oferecem um percurso de 532 metros que liga as praias fluviais do concelho às espantosas quedas de água escondidas no maciço rochoso que acompanha o caminho. Embora curto, durante o passeio encontra diversas áreas de descanso, com bancos e miradouros a partir dos quais pode ter uma panorâmica da paisagem marcada pelos cursos de água e pela paisagem rural e preservada das Aldeias do Xisto. Para os mais corajosos, é possível ampliar o passeio por uma das quatro rotas cujos caminhos se cruzam no Penedo Furado: o Trilho das Bafureiras, a Rota das Conheiras, a Grande Rota do Zêzere e a Grande Rota da Prata e do Ouro, um trajeto de cerca de 19 km que une o Sardoal, no distrito de Santarém, a Vila de Rei, com passagem pela Albufeira de Castelo do Bode, pela praia fluvial do Penedo Furado, onde é possível mergulhar em água cristalina e refrescar-se à sombra das centenas de árvores que envolvem o complexo, e pelas antigas minas de prata e outro que davam sustento a grande parte dos habitantes da região.

Passadiço do Sistelo

Inserido na Ecovia do Vez, o percurso entre Sistelo e Vilela abraça cerca de 10 km de rara beleza e tranquilidade. Conhecida como “Tibete Português”, por culpa dos socalcos escavados na terra de modo a aumentar o solo cultivável nesta zona árida, a aldeia de Sistelo serve de ponto de partida ou chegada (o inverso a partir da Ponte de Vilela) do caminho que demora pelo menos três horas a trilhar, mais um pouco se for desfrutando das muitas maravilhas que o percurso tem para oferecer. Miradouros com vistas sobre a paisagem verdejante, montanhas, aldeias e várias cascatas irresistíveis para se refrescar num mergulho, são apenas algumas sugestões de pausa. Um trajeto de dificuldade média, com algumas subidas e descidas acentuadas, que se pode fazer a pé ou de bicicleta.

Passadiço de Carvoeiro
Inaugurado em 2014, o passadiço estende-se por apenas cerca de 600 metros, entre o Forte de Nossa Senhora da Encarnação, no Carvoeiro e o Algar Seco, onde se instala o conhecido bar e restaurante A Boneca e uma pequena gruta que termina com uma “janela” para o azul do mar (É um dos spots mais fotografados da zona!). O passadiço, que também pode ser aproveitado à noite, uma vez que já está iluminado com lâmpadas LED, permite apreciar a beleza da zona em total segurança e dispõe de diversas zonas de descanso e pequenas bancadas de contemplação. O facto de ser ligeiramente sobrelevado, embora de altura variável, permite suavizar as diferenças de cotas, tornando este passadiço acessível mesmo para cadeiras de rodas. Os mais aventureiros podem seguir os trilhos e, literalmente, entrarem nas arribas, esculpidas pelo tempo e algumas adaptadas pelo Homem.

Passadiços do Alamal

São quase 2 km a ligar a Praia Fluvial do Alamal à Ponte de Belver, em Gavião, num percurso que permite o acesso a pessoas com mobilidade condicionada e carrinhos de bebé. A inclinação é ligeira o que o torna de fácil acesso e execução. Neste caminho destaca-se a riqueza do cenário envolvente, com patos, cegonhas e várias espécies de plantas autóctones que ajudam a refrescar o caminho, como é o caso dos sobreiros e das videiras que partilham o espaço com passifloras, espargos e amieiros. Em pano de fundo, o Castelo de Belver acompanha o passeio e convida a momentos de contemplação embalados pelo curso do rio. Seguindo sempre as margens do Tejo, ao longo do caminho encontra ainda intactos os muros de sirga que correm ao longo do rio e que em tempos foram essenciais à navegação fluvial até ao Porto do Tejo, em Vila Velha de Ródão.

Passadiços das Escarpas de Maceira
Entre Macieira e as praias de Porto Novo e Santa Rita, este que é um dos mais recentes passadiços do país - foi inaugurado no final de junho - abre uma panorâmica sobre a natureza escarpada e o Oceano Atlântico, amplo à chegada ao areal. Ao longo de um quilómetro, a estrutura de madeira convida a um passeio pedonal de baixa dificuldade que é também um encontro com a cultura e a biodiversidade da região. Com a deslumbrante paisagem costeira como pano de fundo, destaca-se também a experiência de contacto com a natureza, através da fauna e flora locais. Ao longo do passeio há painéis com informação adicional sobre o espaço e a sua envolvente.

Passadiço de Aveiro

Entre o centro da cidade e a margem sul do Rio Vouga, o Passadiço de Aveiro é uma estrutura recente, com cerca de 7,5 km de extensão, que podem ser feitos a pé ou de bicicleta. O percurso acompanha a Ria e mostra cenários que mudam consoante o tempo, a vontade das águas e a luminosidade. O pôr-do-sol é um momento de rara beleza neste passeio. Barcos naufragados na ria, pequenas ilhas com velhas casas que guardavam as marinhas que agora estão submersas, moliceiros e um barco a energia solar que consegue chegar a locais mais recônditos integram também a paisagem. Como uma extensão da própria ria, há ainda floresta, pinhal, sapais para apreciar, além de bancos de madeira para esticar as pernas e respirar ar puro. Escolha o ponto de partida: O antigo cais de São Roque, não muito distante da estação de comboios de Aveiro, o cais da Ribeira de Esgueira, ou Vilarinho, freguesia de Cacia.

Passadiço de Alvor

Porque nesta altura do ano todos os caminhos se inclinam para o sul e em direção à praia, esta estrutura pedonal em Alvor liga, ao longo de 6 km, a praia dos Três Irmãos à Ria de Alvor, em toda a frente de mar. Além do percurso em si, que permite desfrutar do enquadramento atlântico desta zona a pé ou de bicicleta, os passadiços ajudam também a tornar várias praias mais acessíveis, contornando as dunas. Para facilitar a chegada e a partida, a zona dispõe ainda de dois grandes parques de estacionamento, com capacidade total para cerca de mil veículos.

Este artigo foi originalmente publicado na edição do Expresso Diário de dia 11 de julho 2019.

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