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Tasquinha Vieira: “Respeitamos o que é nosso, mas sem ficarmos quadrados”

O início foi em 2013, no dia em que um furacão assolou a ilha de S. Miguel, nos Açores. Mau prenúncio? Pelo contrário. Era um indício do “abanão” gastronómico que aí vinha. A Tasquinha Vieira conquistou um espaço relevante no mapa gastronómico micaelense, sem serem precisos couverts nem individuais sobre a mesa. Apenas o talento e necessário empenho.

O proprietário e chefe, Joel Vieira, tirou um curso de cozinha na Escola de Formação Turística e Hoteleira e chegou a emigrar três vezes para “radiografar” os mercados lá fora. Viu mundo e regressou com vontade de se expressar. Sabia que as coisas podiam ser feitas de forma diferente, respeitando o passado, as memórias e o produto, mas “tirando as pessoas da zona de conforto”. “Respeitamos o que é nosso, mas sem ficarmos quadrados, deixando sempre espaço para a evolução”, comenta.

Despojado, cosmopolita e dinâmico, o espaço é composto por duas pequenas salas (uma para grupos) e um terraço. Da cozinha aberta saem empratamentos a bom ritmo. Aconselha-se a vir cedo e atenção que esta casa encerra ao domingo e ainda aos almoços. O serviço é eficiente e a carta curta e certeira, sendo possível fazer menus de degustação mediante marcação. Todas as semanas há novidades na ementa, consoante os produtos disponíveis nas estações.
Para começar, poderá encontrar, por exemplo, pastéis de peixe do mercado (€5), barriga de espadarte com pimentos e legumes (€9) ou os queijos dos Açores para duas pessoas (€10). As tábuas de quatro queijos abrangem várias ilhas, como as Flores, S. Jorge, S. Miguel e Faial ou Pico.

Uma das propostas mais substanciais da Tasquinha Vieira (Rua António Joaquim Nunes da Silva, 21, Ponta Delgada, S. Miguel. Tel. 969861130) é a barriga de porco com puré de inhame das Furnas e legumes da época grelhados (€17). O hábito de acompanhar o porco com o inhame remete para as memórias de infância Joel Vieira, nomeadamente para o ritual da matança do porco. Acrescentam-se a noz moscada e as notas de frutos secos. A vaca dos Açores com esmagada de batata, cenouras baby e cogumelos (€18), uma espécie de ossobuco, só peca por terminar.
Ao nível do peixe, destaque para o peixe do mercado com arroz malandrinho de tomate (€17), para a caldeirada de peixes do nosso mar (€17) e a açorda de cavala, com o caldo apurado a partir das espinhas. Tem de haver espaço para o fantástico pudim conventual de laranja e caramelo!

O Boa Cama Boa Mesa viajou para os Açores com o apoio da TAP Air Portugal.

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