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Gambrinus ou quando o serviço irrepreensível e a cozinha intemporal estão na moda

Mario Joao

Os peixes e os mariscos celebrizaram este ícone da restauração lisboeta, que é também marcado pelo ambiente intimista e pelo zelo na relação com o cliente, prerrogativas partilhadas nas duas salas e na "barra", o restaurante prima, ainda, pela sofisticação, reflexo da ligação e amor às artes.

A homenagem a Gambrinus, rei de Flandres e de Brabante (antigo ducado situado no sul dos Países Baixos e no norte da atual Bélgica), e patrono dos cervejeiros foi feita pelos fundadores. Ou não fosse esta casa, inaugurada a 14 de julho de 1936, inicialmente, uma cervejaria, além de espaço de comércio de charcutaria fina.

Volvidas três décadas, é feita a remodelação do Gambrinus, tal como o conhecemos atualmente, pelo arquiteto Maurício de Vasconcelos. Os candeeiros, as mesas e as cadeiras, estufadas em couro e ornamentadas com o escudo do restaurante, da sua autoria, combinam com o ambiente luminoso e sofisticado da Sala Grande. Esta também é conhecida pela Sala da Tapeçaria numa alusão à obra imensa criada pelo artista Sá Nogueira, intitulada de “As quatro estações” e realizada pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre. Na parede oposta, as peças de porcelana dão um ar da sua graça. Ao fundo, a lareira, em granito nacional, acesa nos dias frios, proporciona um ambiente acolhedor ao restaurante Gambrinus.

Já as dimensões exíguas da Sala Pequena, de paredes revestidas a madeira ornamentadas de quadros pintados a óleo e a aguarela, tornam este espaço mais intimista e discreto. A entrada pode ser feita pelo n.º 30 do Largo do Corregedor e, logo ali, está o belíssimo vitral representativo do tributo ao rei Gambrinus, outra obra de Sá Nogueira.

Sentemo-nos, pois, que é tempo de iniciar a refeição com um clássico do restaurante Gambrinus: Cocktail de gambas (€18). Prossiga o desfile de sabores com as Vieiras com caviar de arenque (€28), as Amêijoas à Bulhão Pato (€22), as Gambas da nossa costa (€27/ 300 gr), a Santola (€50) ou os Lagostins (€96). Ou seja, cinco das 12 entradas criadas pela equipa de cozinha do chefe Carlos Oliveira.

A Sopa de mariscos (€8) e o Caldo de peixes e legumes (€10) são outras sugestões a ponderar antes de passar ao prato seguinte. A lista de pratos de peixe e carne complica a escolha tamanha é a vontade de experimentar a maioria. A Cataplana Gambrinus (€70/ duas pessoas), a Garoupa à portuguesa (€32) e o Camarão dourado com arroz de lima (€34) são apenas três recomendações a ter em conta face às 13 propostas inscritas na carta.

Destaquemos, por sua vez, nas carnes, os Fígados de ave com maçã (€24), o Filet Gambrinus (€26), as Costeletas de cordeiro com arroz de grelos (€26), e a Perdiz abafada com cogumelos (€38), que é uma das escolhas dos apreciadores de pratos de caça.

Aos mais indecisos deixamos aqui as especialidades repartidas pelos dias da semana, cada um com dois pratos. Destaquemos os Filetes dourados com arroz de gambas (€32), à segunda-feira; o Cozido à portuguesa (€38/ duas pessoas), à terça; a Sopa rica de peixes (€32), à quarta; o afamado Eisben com choucrute (€38/ duas pessoas) ou o Empadão de lagosta (€36), à quinta; o Pato com arroz à portuguesa (€28), à sexta; o Leitão assado à moda da Bairrada (€32), ao sábado; e o Cabrito assado à Souto-Mor (€30), ao domingo.

Finalize a refeição com queijo de Ovelha seco, o da serra amanteigado ou o de Azeitão (€8) ou uma sobremesa que chame pelo açúcar. O primeiro destaque vai, como seria de esperar, para os Crepes Suzette (€30), outros dos grandes clássicos do restaurante Gambrinus e da cozinha tradicional francesa feitos, ainda hoje, em frente ao cliente. O Toucinho-do-céu (€8), o Pudim Abade de Priscos (€8) e a Tarte Gelada de avelã e chocolate (€8) constam na lista de preferências dos clientes habituais. É chegada a hora de pedir o badalado Café de balão (€2) do Gambrinus, onde o dia começa às 07h00. “O pessoal de cozinha vem muito cedo para fazer os preparativos”, revela Aurélio José Pereira, chefe de sala do restaurante. Ao todo, são 55 funcionários. “O chefe de bar, o José Fernandes, está cá há mais de 50 anos!” Os mais novos já contam com entre oito e nove anos de casa.

Mas a oferta do Gambrinus não fica por aqui. Entrando pela rua das Portas de Santo Antão dá-se de caras com a Barra, o enorme balcão de madeira escura, palco de partilha de animadas conversas acompanhadas por petiscos da cozinha tradicional portuguesa. Os Rissóis (€2), os Croquetes (€2), o Prego do lombo no pão (€8) ou o Presunto (a partir de €14) continuam no topo das preferências dos habitués, que recorrem a este espaço ao final da tarde e, até mesmo, da noite. “Depois dos grandes espetáculos noturnos na [Fundação Calouste] Gulbenkian e no [Teatro] São Carlos, o Gambrinus enche”, diz, com orgulho, Aurélio José Pereira.

O glamour de outros tempos mantém-se, assim, para lá das portas do emblemático Gambrinus (Rua das Portas de Santo Antão, 23. Tel. 213421466) aberto entre as 12h00 e as 01h30.

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