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Taberna Ó Balcão: devoção ao Ribatejo

Orgulho, arrojo e criatividade são três apenas formas de descrever a ligação de Rodrigo Castelo à cozinha regional. Um caso cada vez mais sério da gastronomia em Santarém

Há momentos na vida das pessoas que não acontecem por acaso, aquele que ditou que Rodrigo Castelo deixasse a profissão anterior, ligada à indústria farmacêutica, foi um deles. Fez com que Santarém ganhasse um espaço de referência na gastronomia nacional, e mais ainda, que a tradição voltasse a ser o que era, justificando-se sempre uma visita, porque cada dia na cozinha deste restaurante é diferente e há coisas que são obrigatórias de provar, pelo menos uma vez na vida.



Antes de se chegar à mesa da Taberna Ó Balcão, convém-se dizer que o trabalho de Rodrigo Castelo começa muito antes de as portas abrirem, muito antes das peças chegarem às bancadas para serem desmanchadas, meses ou anos antes daquele momento em que a tábua de enchidos chega à mesa para começar o repasto. Primeiro foi preciso estudar, correr os campos da lezíria à procura deste e daquele pequeno produtor, conversar com ele e convence-lo a regressar ao passado, preservando tradições, ou até fazê-los chegar mais depressa ao futuro, com criações arrojadas, novos tipos de enchidos ou outras experimentações, sem nunca perder o norte, que aqui se deve ler, o sabor.

Cada refeição na Taberna Ó Balcão é diferente. Cada refeição é melhor, de um mês para o outro, cada uma é mais afinada, sempre com a preocupação de Rodrigo Castelo, entre pratos, vir saber da satisfação, seja do amigo de longa data que regressou ao restaurante, seja ao desconhecido que ali se sentou pela primeira vez.



Na Taberna Ó Balcão faz-se questão de que se coma com as mãos, sem preocupações ou inibições de qualquer espécie. A carta de inverno começa precisamente dessa maneira, “À Mão”, com um Croquete de Rabo Toiro (€2), um fenomenal Coscorão do Rio Até ao Mar (€5,5), com uma Sandes de capado, picles caseiros, amêndoa (€8) ou com um Prego atum na Pombinha (€9,5), um pão especial que Rodrigo Castelo achou perfeito para a receita. Depois há sopa de Peixe do rio com ovas de barbo (€4,5), uma surpreendente Canja de cocó com cogumelos (€4,5), uma Favinhas com enchidos (€6), e outras sedutoras propostas como a Língua de vaca estufada com ervilhas (€8,5), ou os Passarinhos com malagueta agridoce (€10).

Caso vá com tempo, e recomenda-se que assim seja, opte pelo “Menu Degustação”, a 5 Tempos (€29), 7 Tempos (€35), ou a 13 Tempos (€50), mas que requer marcação prévia. Na última visita, foi essa a opção, que mais do que uma refeição, foi a confirmação de que este é o momento de Rodrigo Castelo, e que, independentemente de onde se parta, Santarém é um destino gastronómico a ter em conta.

Começou tudo com a charcutaria, que incluiu “Língua de toiro bravo curada e fumada, chouriço de toiro e chouriço de capado”, acompanhada de “Pão caseiro de forno a lenha dos Paços dos Negros: centeio, alfarroba e passas, chouriço e branco”. Nos snacks chegaram à mesa “Coscorão do rio até ao mar”, “Croquete de rabo de toiro com mostarda matizada” e “Sandes de capado com pickles caseiros e amêndoa”.



As entradas foram bem representadas por “Lagostins do rio ó alhinho e tomilho limão”, e por um “Ovo roto ribatejano”, cabendo a escolha, nos principais, à “Sopa de peixe do rio com ovas de barbo”, ao “É do rio e é da telha – fataça” e a um inacreditável “Cevadoto de lagostim do rio e camarão gigante”. Provou-se ainda a “Canja de cocó com cogumelos”, e um “Focinho de porco e o seu caldo”, motivo suficiente para se ter, de imediato, vontade de regressar. A refeição terminou com “Cornos e tentáculos (polvo de Vila Franca e toiro bravo)”, e de forma doce com a pré-sobremesa “Nem tudo é limão” e com um “Pão-de-ló de Rio Maior e gelado de queijo de cabra”.



A Taberna Ó Balcão (Rua Pedro de Santarém 73, Santarém. Tel. 243 055 883), é um daqueles casos que prova que o interior não é só paisagem, e que há cozinhas em que vale a pena apostar. Rodrigo Castelo, no último ano, cresceu. Afirmou-se a assumiu-se como um cozinheiro a ter em conta. Brevemente vai demonstrar a Lisboa que também sabe preparar e servir marisco, no restaurante Mariscador, a abrir em breve no Campo Pequeno.

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