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Clássicos de sempre: 10 restaurantes que resistem à passagem do tempo

De forma discreta, vão vendo abrir e fechar restaurantes quase todos os dias. Indiferentes ao passar dos anos, estes verdadeiros templos da boa comida estão sempre na moda

Há uma mão cheia de restaurantes em Portugal que pouco ligam ao bater das doze badaladas, a quem os desejos da hora certa na passagem de ano pouco dizem, e que não se afastam, nem um milímetro, de uma linha traçada há muitas décadas de servir sempre com especial atenção todos os clientes. Chamam-lhe “clássicos” ou, simplesmente, “porto seguro” no que à gastronomia diz respeito. Em alguns destes dez exemplos, os empregados tratam os clientes pelo nome e conhecem a história das famílias do frequentadores até á terceira geração. Muito mais restaurantes haveria nesta categoria, mas para começar bem o ano, siga as sugestões do Boa Cama Boa Mesa e sente-se à mesa destes 10 espaços de Lisboa e do Porto.

Solar dos Presuntos


Em abril de 2007, José Quitério escrevia nas páginas do Expresso: “Atualizado e consolado, é uma consolação poder felicitar Evaristo Cardoso, sua esposa e antiga cozinheira, Maria da Graça, seu filho e sucessor, Pedro, o chefe de cozinha, José Silva, e todos os empregados, proclamando que o Solar dos Presuntos ocupa um lugar de honra no restrito roteiro lisboeta dos restaurantes que melhor cultivam os autênticos paladares portugueses.” Em 2017 o guia Boa Cama Boa Mesa atribuiu a Evaristo Cardoso, o proprietário e fundador do Solar dos Presuntos, o Prémio Carreira, pelo exemplo de dedicação à boa mesa, amplamente reconhecido por todos. Ainda hoje, aos 75 anos, continua a ser presença assídua no restaurante, agora com uma gerência mais ativa do filho, Pedro Cardoso, sem que isso ponha em causa os padrões de qualidade a que o Solar dos Presuntos tem habituado os clientes há já mais de quatro décadas. Por aqui, além de muitos famosos, faz-se a defesa da boa cozinha tradicional portuguesa, com destaque para os pratos minhotos, com a lampreia na sua devida época. Preço médio: €40.
Rua Portas de Santo Antão, 150, Lisboa. Tel. 213 424 253

Pinóquio


Em plena Praça dos Restauradores em Lisboa, abriu portas em 1982 e desde então, raros são os dias em que deu descanso ao pessoal. Não tem horário certo para almoços ou jantares, uma vez que é frequente começarem a servir a mesma mesa às 13h00 e levantarem as toalhas e trazerem a contas depois da uma da manhã. No restaurante Pinóquio os mariscos, expostos logo à entrada são cartão-de-visita, mas o Bife de Lombo “Pica-pau”, com 700 gramas e especialidade da casa, uma verdadeira perdição, acompanhado de batatas fritas perfeitas, estaladiças e no ponto certo de fritura. Ainda nos símbolos da casa, não perca o Bife de Lombo, com molho de alho, o Tornedó aux champignons ou o Solomillo de Porco Ibérico no churrasco. Imperdíveis são também as imperiais, servidas num copo gelado, tirado de uma enorme arca frigorifica. Atente na forma como são preparadas as amêijoas…
Praça Restauradores 79, 1250-188 Lisboa. Tel. 213 465 106

O Galeto


Abriu com pompa e circunstância no dia 29 de julho de 1966, desenhado de acordo com a criatividade dos arquitetos Bento d’Almeida e Vítor Palla, o que fez agitar meia Lisboa. Depois, ficava-se surpreendido com o balcão em ziguezague, com os cabides individuais debaixo do balcão para as senhoras não colocarem as malas no chão, e com o serviço impecável até “altas horas” da madrugada, leia-se, até às 03h30 da manhã. No restaurante O Galeto, há menus “combinados” e de pequeno almoço, que são servidos desde que abre as portas, às 07h30 até ao encerramento e que podem incluir um “Hambúrguês em brioche”, com maionese, pickles e uma garrafa de vinho, mas das pequeninas. Pelo menos uma vez na vida é obrigatório provar o Bife à Galeto ou as Iscas de Fígado á portuguesa. Preço médio: €30.
Avenida da República, 14, Lisboa. Tel. 213 544 444

Adega da Tia Matilde


Nasceu em 1926, como tasca, e com o tempo foi crescendo e, verdadeiramente multiplicando-se pelas salas vizinhas, transformando-se ao poucos num restaurante de prestígio. Os clientes mais habituais ainda olham para a mesa do canto, logo á entrada, onde quase todos os dias Eusébio da Silva Ferreira se sentava e deixava o apetite nas mãos das cozinheiros que o serviam com toda a dedicação. Nos pratos diários do restaurante Adega da Tia Matilde há sempre Canja de Garoupa com Amêijoas e Espinafres, Cabrito no Forno e Arroz de Frango à Tia Matilde, uma Cabidela de comer e chorar por mais. É ponto de encontro de várias figuras da política e dos negócios que ali se encontram de forma discreta. A mesa de Eusébio continua reservada para o “Rei”. Preço médio: €30.
Rua da Beneficência, 77, Lisboa. Tel. 217 972 172

Cimas – English Bar


É uma verdadeira instituição. Entrar neste restaurante, que ainda mantém a denominação de English Bar, é como entrar num livro de História. Aqui respira-se tradição, alicerçada na decoração, com paredes forradas a madeira e apontamentos de outras décadas. O Cimas – English Bar (da família Cima Sobral) nasceu em 1941, como bar, e desde então passaram por aqui espiões de várias nacionalidades, figuras públicas, empresários, políticos e realeza de todos os quadrantes. As perninhas de rã, panadas ou com alho, são ainda um clássico desta cozinha, que também ganhou fama graças aos pratos de caça, com destaque para a galinhola. O cherne no forno com amêijoas é uma especialidade. Preço médio: €50.
Avenida de Sabóia, 9, Monte Estoril. Tel. 214 680 413

Beira Mar


Tem mais de meio século de portas abertas, quatro décadas sob a mesma gerência. Qualidade no produto, cozinha afinada e uma equipa de sala atenta a todos os pormenores garantem a fama e o proveito deste restaurante clássico de Cascais. À entrada, no restaurante Beira Mar, o expositor mostra os peixes frescos do dia, e um pouco mais no interior os olhos param no aquário de mariscos. Para entreter ou mariscar, a escolha complica-se: amêijoas à Bulhão Pato, mexilhões, gambas e sapateira recheada. Existem outras opções, calibradas pelo peso, dos carabineiros à lagosta, sem esquecer as gambas e os lagostins. Nos peixes, a carta apresenta um dos maiores clássicos da casa: filetes de pescada com arroz de berbigão. Simplesmente imperdível!
Rua das Flores, 6, Cascais. Tel. 214 827 380

Gambrinus


A história conta que em 1964, foi remodelado e ampliado pelo arquiteto Maurício de Vasconcelos. A partir dessas obras, e numa altura em que Portugal era um país fechado e sob um ditadura, atingiu o estatuto de Restaurante de luxo que mantém até hoje. Foi também da pena deste arquiteto que sairão os desenhos exclusivos dos candeeiros, das mesas com dimensões generosas e das confortáveis cadeiras em madeira e couro português, gravadas com o logótipo do restaurante. Mas era na “Barra” que as noites começavam, que se trocavam dois dedos de converso ou se viam os artistas saídos do Coliseu dos Recreios para uma refeição “fora de horas”. São várias as “Gambrinices” servidas no Gambrinus, mas os Croquetes já foram várias vezes apelidados como os “melhores de Lisboa”. Na sala as especialidades continuam a ser Sopa Rica de Peixe, o Empadão de Perdiz, o Pregado em Court-Bouillon e o Eisbein com Chucrute. Preço médio: €40.
Rua das Portas de Santo Antão, 23-25, Lisboa. Tel. 213 421 466

Casa Nanda


A herança da Mamuda, um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade nos idos 60 e 70, é hoje conservada na Casa Nanda. Dois ex-funcionários ali abriram portas, no início dos anos 80, de uma taberna que depressa evoluiu para restaurante, e desde então continuam a percorrer as receitas tradicionais, dos filetes de polvo com arroz, da cabeça de pescada à Rosa do Adro, aos rojões, passando pelo bacalhau. As inevitáveis tripas servem-se ao sábado e o cozido à portuguesa à quarta-feira, dias em que na sala aconchegante e buliçosa sobem de tom as conversas das gentes do Norte, envolvidas por um serviço familiar e uma interessante garrafeira. Preço médio: €20.
Rua da Alegria, 394, Porto. Tel. 225 370 575

O Gaveto


É reconfortante saber que há locais com que se pode contar para permanecerem iguais a si próprios, pelos quais os anos não passam a não ser quando se trata de uma evolução natural. O Gaveto é uma dessas casas sempre coerentes, uma escolha segura quando queremos regressar a um paladar familiar. A ementa do restaurante O Gaveto é extensa e acompanha uma carta de vinhos, essa, sim, em crescimento constante, com novas referências a acompanhar os pratos de sempre. Açorda e arroz de marisco ou lavagante, robalo ao sal, peixe-galo com açorda rivalizam com os pratos do dia, como o cabrito ao domingo, as tripas à segunda ou o arroz de pato à quinta. Preço médio: €30.
Rua Roberto Ivens, 826, Matosinhos. Tel. 229 378 796

A Cozinha do Manel


É um dos restaurantes mais antigos da cidade, que vai resistindo a modas sustentado na cozinha tradicional de qualidade. A primeira sala do restaurante A Cozinha do Manel convida a saborear a refeição num longo balcão. De um lado, fotografias das muitas personalidades que já visitaram esta casa. Do outro, uma garrafeira organizada por regiões sugere várias propostas. No recolhimento da sala de cima também se está bem. Ao almoço e ao jantar desfilam pratos consistentes de uma cozinha experiente que respeita o receituário tradicional: cozido à portuguesa, rojões, vitela assada, mas também filetes de polvo e pescada e bacalhau em várias confeções. Preço médio: €30.
Rua do Heroísmo, 215, Porto. Tel. 919 787 598

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