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Cozido em Lisboa: seis restaurantes onde a tradição não falha

Não se compreende porquê, mas o cozido não é um daqueles pratos que se encontrem tão facilmente quanto gostaríamos. O Boa Cama Boa Mesa sugere seis restaurantes na Grande Lisboa que nos fazem a vontade todas as semanas

Houve uma altura, logo depois de o conceito de brunch ter chegado a Portugal, em que se temeu pela saúde do Cozido à Portuguesa (ou das suas diversas variações). Os domingos, de repente, deixaram de juntar carnes e enchidos à mesa e passaram a pequenos-almoços tardios, mais virados para os sumos de fruta do que para a barriga de porco propriamente dita. Felizmente, há tradições que sobrevivem aos abanões da modernidade e a do cozido é prova disso. Seis dias, seis cozidos, uma cidade. Eis os melhores da Grande Lisboa.

O Nobre
Os fins de semana seriam diferentes para muitas pessoas se acabasse este famoso buffet do cozido ao domingo. Custa €23 (sem bebidas), mas é um dos mais famosos da capital, pela qualidade e diversidade de produtos que junta, razão pela qual convém reservar com antecedência. É feito com carne bísara e com uma mão cheia de segredos que só a chefe Justa e o marido, José Nobre, conhecem. A receita ganhou fama ainda o restaurante O Nobre ficava na Calçada da Ajuda e era poiso frequente de Mário Soares.
Av. Sacadura Cabral, 53 Lisboa. Tel. 217 970 760

Marítima de Xabregas
Há inúmeras boas razões para uma visita à Marítima de Xabregas. Pode ser pelo entrecôte, pelo peixe fresco todos os dias, pelo bacalhau à Brás ou pelo cozido à portuguesa. Serve-se só às quinta-feiras ao almoço e por isso mesmo é quase impossível lá chegar sem reservar com alguma antecedência. É um dos restaurantes sugeridos no guia Tascas e Petiscos by Boa Cama Boa Mesa pelo chefe Ljubomir Stanisic como um dos bastiões da boa cozinha regional em Lisboa.
Rua Manutenção 40/42, Lisboa. Tel. 218 682 235

Tasquinha do Lagarto
Há dois dias do cozido na Tasquinha do Lagarto: a quarta-feira e o sábado. Cada dose (€14) dá para duas pessoas e diz-se que o grande segredo para a fama do prato está na chouriça de cebola de Ponte de Lima. Para um gostinho especial, as carnes ficam em sal de véspera. No resto do prato servem arroz, hortaliça, nabo e batata, além de chouriça alentejana, chouriça de sangue, de carne, entrecosto e orelha. Nem todos aqui são do Sporting...
Rua Campolide, 273, Lisboa. Tel. 213 883 202

Cova Funda
Neste espaço quase escondido, mas muito perto de uma das mais movimentadas avenidas de Lisboa é a quinta-feira o dia do cozido (€12). No restaurante Cova Funda não usam frango para confecionar as generosas doses, mas garantem usar apenas carnes selecionadas, oscilando o conteúdo do tacho entre a unha do porco, o chispe, o toucinho, o entrecosto, e a carne de vaca. No que aos enchidos diz respeito há sempre farinheira, chouriça de carne e morcela de Castelo Branco. As tradicionais hortaliças e o arroz são cozinhados na água de cozer os enchidos.
Rua Augusto Machado, 3 A/B, Lisboa. Tel. 218 492 125

David da Buraca
Está mal situado, é um facto, mas para o caso não interessa nada. O restaurante David da Buraca começou há quase meio século como tasca de petiscos e foi crescendo no tempo e em espaço para se transformar num emblema da boa cozinha tradicional. O espaço é grande, suficiente para casamentos e batizados, mas não há enchente como a do almoço do domingo, o dia do cozido. Uma travessa geralmente dá para dois (€17), sempre com a possibilidade de poder pedir para acrescentar mais um bocadinho de qualquer coisa. Boa variedade de carnes, boa seleção de enchidos e feijão cozido no ponto, um bom “brunch” de domingo.
Estrada da Buraca, 20, Buraca. Tel. 217 606 247

Espaço Açores
Não é o das Furnas, mas, garantem, no Espaço Açores, trata muito bem a sua versão do cozido. Desde logo, devido aos produtos usados, todos eles vindos dos Açores, sejam as carnes de vaca, de porco, a galinha, o inhame, a batata, a batata-doce, a cenoura, o repolho, a morcela e o chouriço de São Miguel. Todos os ingredientes, confecionados num buraco numa bancada de alumínio recortada, à medida da panela., são colocados, obrigatoriamente, por esta ordem De fora só ficam as asas e a tampa, cobertas com panos para que o calor não se perca. A temperatura mantém-se sempre nos 70 graus, das seis da manhã à uma da tarde, tal como se debaixo da terra a preparação estivesse. São precisas sete horas de cozedura lenta, uma vez que este cozido (€20) não leva água nem ferve. Também não entra na confeção nem orelha, nem farinheira, nem arroz, feijão ou nabo.
Largo da Boa Hora, Mercado Municipal da Ajuda, Lisboa. Tel. 213 640 881

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