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Crónica de um dia perfeito no Vila Joya, com família, amigos, praia e alta gastronomia

VASCO CELIO

O cenário, que contou com um dia perfeito, com sol e sem vento, foi meticulosamente preparada para que, sem falsas modéstias ou expectativas, transformar-se o adeus ao festival gastronómico Tribute to Claudia, em algo memorável. E foi!

Como acontece com os planetas, neste dia (12 de novembro) também as estrelas se alinharam para um dia memorável. Na praia, uma instalação composta por chapéus-de-chuva brancos e uma enorme mesa corrida (mais de 60 convidados) teve o total apoios dos deuses, que brindaram o último dia do festival com um dia perfeito de céu azul (sem vento), a que acrescentou um pôr-do-sol magnífico, com uma luz única…

Com todo este alinhamento “natural”, a última refeição do último dia da última edição do festival Tribute to Claudia, organizado pelo Vila Joya, foi uma verdadeira festa gastronómica, com diversos amigos de Dieter Koschina (Christian Marent, Stefan Heilemann, Peter Knogl, Jens Rittmeyer, Sven Elverfeld, Jacob Jan Boerma, Peter Hagen e Juan Amador) a proporcionarem momentos de alta gastronomia, devidamente apoiados pela sempre excelente seleção de vinhos a cargo de Arnaud Vallet, sommelier do Vila Joya desde 2007, e por toda a equipa de sala, que ajudou a garantir a boa velocidade do serviço, a vários lanços de escadas e alguma areia de distância da cozinha.

Os convidados foram recebidos com champanhe Billecart-Salmon e diversos snacks, enquanto se apercebiam da magnífica instalação montada na praia, com centenas de chapéus-de-chuva/sol brancos. Como amuse-bouche foi servido, da autoria do chefe anfitrião, “Lula / gema Confitada / Molho Mignonette / Burrata / Espinafre /Sésamo”. Um prato que representa muita bem a cozinha de Koschina, com ingredientes simples, sabores e texturas eloquentes, mas sempre com aquela sensação de conforto (quase) caseiro. Seguiram-se sete pratos e duas sobremesas, destacando-se, neste desfile memorável, as propostas de Peter Knogl, cujo restaurante Cheval Blanc, em Basileia, ostenta três estrelas Michelin; de Jens Rittmeyer, em tempos chefe do algarvio São Gabriel, hoje, a liderar o Kai3, na Alemanha, e de Jacob Jan Boerma, que detém três estrelas no De Leest, na Holanda.

Descodificando, Peter Knogl apresentou Lagostim, com maçã verde e caril Madras, de perfume e sabor subtilmente exóticos, enquanto Jens Rittmeyer apostou num prato de base vegetariana, composto por “Cebola assada em Sal Marinho / Molho de Sidra / Caviar /Molho Hollandaise com Óleo de Colza”. Independentemente das polémicas que envolvem o óleo utilizado esta foi uma proposta muito bem conseguida, com grande elegância e suavidade, enaltecida pela presença do caviar. O “prato-estrela” deste dia tão especial chegou pelas mãos do holandês Boerma, com “Rodovalho / Combava /Aipo do BBQ Assado /Vadouvan & Algas”. Uma combinação perfeita, com o mar a ser domado pelo fumado do aipo e os sabores cítricos do combava em harmonia com ao mix das especiarias.

Entre os vinhos servidos, referência para o nacionais Soalheiro Primeiras Vinhas 2016, Herdade da Calada Baron de B, reserva 2016, Poeira 2013, e o Moscatel Roxo Excellent da Casa Horácio Simões. Entre a oferta internacional, o destaque vai para o surpreendente Château Minuty 281, de 2016.

A festa, que à mesa terminou com duas sobremesas - que fantástica surpresa de Juan Amador com “Pêssego / Espargo /Natas Ácidas – teve continuidade no Vila Joya Sea, o bar de praia, onde Bernard Antony deu a provar alguns dos melhores queijos do mundo. A noite foi animada, com muita música e cocktails, celebrando aquela que é matriz do mundo Vila Joya: família, amigos, praia e alta gastronomia.

E, apesar daquela quase sensação de alguma orfandade, foram três dias (dois jantares e um almoço) para ficarem guardados para sempre na memória de que teve o privilégio de participar, não só à mesa, mas também na cozinha e no serviço de sala. O hotel encerra agora, como é tradicional, para implementar algumas renovações e melhorias ao longo do defeso de inverno e promete voltar, ainda mais bonito, no início de março. Quem sabe se, por esses dias, Joy Jung e Dieter Koschina não terão já, para anunciar, um novo evento que leve até às estrelas, o melhor da gastronomia portuguesa.

Ficamos à espera, com as palavras de Joy Jung na memória: "O festival teve um papel fundamental na afirmação internacional da cozinha portuguesa. Agora, é tempo de parar e repensar”.

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