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Insula Atlantis: bons sonhos, na surreal paisagem vulcânica do Pico

Luis Costa - Lavaimagem

Quanto mais se avança, mais agreste é a paisagem. Uma imensidão de fragmentos basálticos, a bagacina, atrasa os pneus e o tremendo quadriculado de muros de basalto aprofunda o negrume. Obriga a parar e a contemplar por mais do que uma vez. Instala-se a dúvida... Mas sim, ainda estamos no mesmo planeta. Em perfeito isolamento e, escreva-se, em perfeita harmonia. A Insula Atlantis é um alojamento local diferente e é por isso que sabe tão bem. Dorme-se literalmente no meio dos currais vinhateiros de São Mateus, que no verão se preenchem de verde até à vindima.



Quatro apartamentos brancos ergueram-se paredes-meias com o contraste da matéria vulcânica, à espreita na janela e prolongando-se quase até ao mar. Nas traseiras, a Montanha do Pico, a mais alta de Portugal com 2351 metros de altitude. A névoa que a encobre, amiúde, só pode ser uma chatice para vidas sem mistério... Sente-se no alpendre, de frente para este cenário surreal e aprecie o silêncio. “É super relaxante e gosto mais de dormir aqui num dia de temporal, sentir que estou refugiado.”, descreve Paulo Machado, promotor do projeto em conjunto com a esposa, Paula Jorge. São os Açores a surpreender desde que há memória!



Os alojamentos, dois T0 e dois T1 (estes com capacidade para dois adultos e duas crianças), são despojados e têm o nome das castas que aqui se cultivam: Verdelho, Arinto dos Açores, Terrantez do Pico e Saborinho. O conforto é o essencial, sem “enfeites” escusados. Dispõem de kitchenette equipada, zona de estar (os T1), wifi e televisão para os que quiserem “ligar-se” à realidade de vez em quando. Convém levar meio para se deslocar, já que a mercearia mais próxima fica a 1 Km e o restaurante a 2 Km. À chegada encontrará um cabaz com alguns produtos - água, fruta, leite, queijo e fiambre e diversos tipos de pão -, mas não é servido pequeno-almoço, embora dê para solicitar a entrega de compras na Ínsula Atlantis. Dormidas desde €90 em época alta.

No exterior há uma piscina com espreguiçadeiras, guarda-sois e toalhas de banho, para desfrutar do verão. Poucos metros adiante, uma loja e sala de provas. As uvas cultivadas neste local são vendidas à Azores Wine Company e, quem quiser (inclusivamente não-hóspedes), pode conhecer os néctares comercializados pela empresa marcando provas de vinhos na Insula Atlantis, desde €12. Dado o terroir, estes vinhos são conhecidos por serem “muito salínicos, frescos e minerais”.



A família de Paulo Machado sempre esteve ligada à cultura da vinha. Com o aumento da produção, surgiu a ideia de um alojamento no meio das vinhas, onde se dessem a provar e vendessem as referências. Em 2014, Paulo tornou-se sócio da Azores Wine Company e, em 2017, abriu a Insula Atlantis (Rua do Farol, São Mateus, Madalena do Pico. Tel. 918836539), concretizando o enoturismo. “Queria passar a noção do que é viver numa adega no Pico. Não é só um sítio onde se faz vinho, é também um sítio de convívio, onde se pode dormir, e a sala de visitas dos picarotos.”, conta ao Boa Cama Boa Mesa. As visitas ao espaço físico da adega, a 500 metros, também são possíveis, além de passeios de bicicleta e roteiros temáticos passando por outros produtores.

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