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São Lourenço do Barrocal: o futuro do Alentejo está aqui

Uma herdade, em Reguengos de Monsaraz, que pertence à mesma família há mais de 200 anos, é hoje um hotel de luxo contemporâneo, onde se preservam memórias e tradição.

Quantos de nós, comuns mortais, partilham do sonho secreto de um dia largar tudo na cidade e fugir para o campo? Poucos, muito poucos de nós, poderão realmente fazê-lo e outros tantos de nós, perante a impossibilidade óbvia da concretização, hão-de acabar por cumprir um pedacinho desse sonho no sonho de alguém que efetivamente o concretizou.

Por aqui, fazemos parte dos sonhadores incuráveis, dos cosmopolitas frustrados que trocavam facilmente o buliço dos dias pela calma da planície, e por outro lado somos do grupo dos comodistas que acreditam que o São Lourenço do Barrocal (Monsaraz. Tel. 266 247 140), existe para preencher, superar e acalmar essa vontade súbita de fuga - que se calhar, não se sabe bem, é só uma ideia romântica de quem anda a precisar de mudar de ares.

Vencedor de uma Chave de Ouro na edição de 2017 do Guia Boa Cama Boa Mesa, ocorre-nos dizer, sem qualquer cerimónia, que é um dos sítios mais bonitos do país e não é só o monte, a herdade, as casas, os jardins, a piscina, o restaurante, o Spa, o bar, caramba, até a receção... não há uma área específica que possa ser apontada como mais bonita ou mais bem pensada do que outra, não há melhores e piores, há um conjunto de características que tornam o São Lourenço do Barrocal tão especial. Foi pelas mãos do arquiteto Souto Moura que a antiga quinta agrícola deu lugar a um hotel rural de luxo em pleno Alentejo.

A configuração dos edifícios é praticamente a mesma de há 200 anos, altura em que foi comprada pela família de proprietários, e contrariamente ao que se espera encontrar na região, as casas não são pequeninas, maneirinhas e de faixa azul na fachada, antes grandes complexos agrícolas que permitiram criar quartos e suítes (desde €150) espaçosos e um par de casas familiares com 190m2. Mantiveram-se as portas e janelas de madeira, rejeitaram-se os vidros duplos e trouxeram-se de volta os armários tradicionais, as loiças de casa de banho antigas e a simplicidade de outros tempos que fica completa com uma decoração minimalista onde convivem harmoniosamente peças de design nórdico com móveis regateados ao cêntimo em feiras de antiguidades. E não é preciso mais nada.

Fora dos quartos e das casas, acontece o resto. No Susanne Kaufmann Spa, um espaço inteiramente dedicado à serenidade e ao silêncio trata-se do corpo e da beleza, na piscina aproveita-se para conhecer, entre banhos, os monumentos megalíticos deixados de herança na herdade e a recém plantada horta, de onde se abastece já em larga escala o restaurante do hotel.

Apostado no conceito farm to table, abraça a tradição alentejana à mesa e vai buscar à terra grande parte da matéria-prima que completa a ementa desenhada pelo chefe José Júlio Vintém, também ela pensada para casar com os vinhos da casa - três tintos e dois brancos muito competentes e que merecem uma visita oficial à adega com prova acompanhada. Ao pequeno-almoço mantém-se o mesmo conceito e é com mesa farta que se recebe logo pela fresca. Se é daquelas pessoas que “acorda sem fome”, vai mudar de ideia rapidamente quando perceber que o mel é servido em suculentos favos ou que as torradas com abacate e ovo escalfado envergonham facilmente qualquer brunch café da cidade grande.

Mais recententemente, e porque 780 hectares é terreno que nunca mais acaba, o São Lourenço do Barrocal abriu as portas a um projeto de arquitetura liderado pelo britânico John Pawson que futuramente virá a dar forma a um empreendimento de casas de luxo privadas com design contemporâneo e perfeitamente inseridas na paisagem. Promete-se uma vista desafogada para a aldeia histórica de Monsaraz, toda vaidosa lá em cima, e para o olival a perder de vista.

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