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M Maison Particulière: intimismo e excelência na cidade do Porto

Os dez quartos deste alojamento, no Largo de São Domingos, são um surpreendente “manifesto” criativo.

Funciona à porta fechada, no Largo de São Domingos, no Porto. Ao entrar na M Maison Particulière, sente-se o efeito dessa opção: o silêncio e a calma reconfortam e causam até admiração, pelo contraste com a efervescência das Flores.

É suposto que a experiência de alojamento seja um hiato feliz em relação à rotina e nada como um lobby marcante para começar a “viajar”. De uma assentada, vê-se a lareira do século XIX e o sofá francês, um lustre vindo de Antuérpia e potes chineses. Duas estátuas da antiga Fábrica de Cerâmica das Devesas apoiam-se em estruturas que pertenciam ao esgoto da cidade e foram encontradas durante o levantamento da Rua das Flores.

Uns passos adiante, cruzando medalhões originais, de época, aparece a sala de pequenos-almoços. Serve produtos frescos, caseiros e feitos na hora, mas também pode receber almoços ou jantares especiais, cocktails, provas de vinhos e azeite. O teto é forrado a tecido estilo tenda berbere.

Maria Irene Schultze está à frente do projeto, aberto em março de 2016, e no qual depositou evidente paixão. Antes de se transformar na casa majestosa que é hoje, o edifício, que data de 1542, mais não era do que “uma ruína, o maior pombal da cidade”, recorda. A intervenção deixou ficar “o que a casa tinha de genuíno”, como as paredes, a escadaria e partes do soalho. O desafio de a isolar térmica e acusticamente foi tão ambicioso como o objetivo: procurar a “diferenciação, a comodidade, o intimismo e a excelência, com base no serviço e na atenção ao detalhe”.

Quartos

Sobe-se escadaria da M Maison Particulière (Largo de São Domingos, 66, Porto. Tel. 227 661 400), engalanada com quadros dos reis de Portugal, e chega-se aos quartos (desde €185). São dez, todos diferentes, e identificam-se com numeração romana. Num deles, o teto com talha portuguesa, original, estava coberto de tinta branca, que teve de ser “raspada e recuperada em estaleiro”. Só para chegar às cores finais dos alojamentos, fizeram-se dezenas de experiências...

Ao nível da decoração e conforto, cada quarto é um “tratado”! Toalhas, tapetes e colchões foram personalizados. Descobrem-se tecidos italianos à cabeceira e delicados cortinados em seda. Há réplicas de Dali, litografias numeradas e televisores colocados em cavaletes de pintura. Manifestam-se inspirações francesas, venezianas – com pequenas gárgulas à mistura -, e objetos trazidos de Myanmar, como móveis de bambu e abajures feitos com chapéus. O conforto e amplitude dos quartos são levados a sério.

As vistas e o Douro

Quem aprecia o ar livre, pode usufruir de um jardim com duas plataformas. Na inferior dá para ver uma parede de azulejos do século XVI e uma fonte. Na parte de cima, a vista dá para a Serra do Pilar. Por falar em boas vistas, no quarto inspirado no desporto, no último piso, há uma sublime varanda virada para o centro histórico...

Vale a pena questionar o staff da M Maison Particulière sobre as experiências disponíveis. É possível, por exemplo, marcar uma massagem no quarto ou passear de comboio junto ao Douro, em “carruagem exclusiva” e com chás servidos na viagem.

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